domingo, 4 de setembro de 2011

Paradoxos literários


João Ferreira Leite Luz

(minha história)

Ao mesmo tempo em que corro contra o tempo, quero saborear a vida devagar. Infelizmente aprendi amar os livros tardiamente, só aos trinta anos foi que me apaixonei por literatura, e hoje aos trinta e quatro devoro com avidez os livros, coisa que considero leviana, ou como já disseram: “Ler rapidamente aquilo que o autor levou anos para pensar é um desrespeito. É certo que os pensamentos, por vezes, surgem rapidamente, como num relâmpago. Mas a gravidez é sempre longa. Há frases que resumem uma vida. Por isso é preciso ler vagarosamente, prestando atenção nas idéias que se escondem nos silêncios que há entre as palavras. Eu gostaria que me lessem assim. Quer eu escreva como um poeta, no esforço para mostrar a beleza, ou como palhaço, no esforço para mostrar o ridículo, é sempre a minha carne que se encontra nas minhas palavras. (Rubem Alves)
Vivo o paradoxo de querer ler muito em pouco tempo. Entretanto, está decidido, vou ler devagar, saboreando cada sentença. Já que comecei a ler tarde, agora pelo menos vou fazer a coisa certa ao embalo da canção: “ando devagar, porque já tive pressa”.

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