terça-feira, 17 de maio de 2011

Quando na vida tomamos medidas drásticas

O Gênesis em sermões expositivos

Texto: Gênesis 38

A cultura judaica sempre privilegiou o homem em detrimento da mulher. Nessa cultura criou-se o entendimento de que o homem era respeitado quando possuía muitos filhos, e o mesmo raciocínio havia entre as mulheres que eram valorizadas pelo número de filhos que davam ao marido.
Um homem sem filhos era sinal de desonra, e uma mulher sem filhos era menosprezada.
Compare com os seguintes textos: Sl 27 e 28/ Gn 30.1 e I Sm 1.8-11.
Existiu uma mulher chamada Tamar que não gerava filhos, isto porque, nem casada ela conseguia permanecer. Estranhamente seus maridos sempre morriam. Então essa mulher toma uma atitude no mínimo incomum, estranha, uma medida drástica.
Acredito que a partir da vida dessa mulher podemos pinçar algumas lições interessantes, vejamos:

1. Deus pode pegar uma situação toda destruída, uma má escolha, uma atitude impensada e transformar em uma coisa bonita Cf. V29-30.

Deus é habilidoso, perito em pegar os destroços de uma vida toda destruída e construir algo belo e valioso. Tamar tomou uma decisão gravíssima, errada. Entretanto, Deus transforma isso num processo que resultará no nascimento de Jesus. Visto que Tamar veio a ser uma ancestral de Jesus, eu diria que ela foi peça fundamental no grande quebra-cabeça da genealogia de Jesus. Evangelho de Mateus 1.1-3.

Tudo que fazemos faz parte de uma engrenagem, de um quebra-cabeça, que agora no presente não entendemos muito bem, por isso muitas vezes erramos, tropeçamos.
Mas, saibam que Deus usará tudo isso como matéria prima na construção do seu futuro, e não só do seu futuro como também lhe usará para a construção do futuro de outros.

2. Tamar foi tão humana quanto nós, os demais humanos.

Gostamos de crucificar os outros quando erram, entretanto nos esquecemos que somos tão pecadores quanto os demais. Gostamos de afirmar que não existe pecadinho ou “pecadão”, só que isso não passa de bravata, conversa fiada, já que achamos que quem adultera é mais pecador do que quem contou mentira; pensamos que o homossexual é mais pecador do que o marido que é bruto com esposa e mal educado com os filhos.
Perante Deus somos todos iguais.
Num desses dias escrevi um texto, e gostaria de transcrevê-lo aqui:

Tão humano quanto os demais humanos
A ideia é que aqueles que buscam espiritualidade devem ser especiais, ou preferidos de Deus. Ocupando assim lugar de distinção, posições privilegiadas em relação aos outros.
Bom, pelo menos uma grande maioria de pessoas mal informadas pensa assim. Um tanto pela falta de cultura (informação), outro tanto devido aos charlatões da fé, que manipulam a situação alheia, ou seja, pessoas inescrupulosas que mantêm o próximo debaixo do sentimento de culpa, fazendo com que eles se sintam os mais desgraçados dos seres humanos.

Coisa ridícula usar a religião, e, pior usar o nome de Deus para manter os indivíduos escravizados debaixo de uma cancela, debaixo de uma canga insuportável.
Tenho uma boa notícia. Ou melhor, a mais alvissareira das notícias: Deus nos considera todos iguais, somos todos humanos. Ninguém é melhor que o outro, nem o melhor de todos religiosos, se é que isso existe.
Gosto de um fragmento do texto de Caio Fábio extraído do livro No Divã de Deus:

“Os salmos mostram o lado humano dos heróis da fé. Revela como nós e eles, somos feito da mesma estrutura, o pó; somos possuídos pela mesma natureza, a dos seres caídos; vivemos e nos alimentamos do mesmo sentimento, a esperança; sofremos do mesmo mal, a dúvida, carecemos das mesmas coisas, amor e graça”.

Em tempos passados já pensei ser uma espécie de predileto de Deus, hoje, contudo, sou feliz em ser apenas mais um humano entre os demais humanos.

Finalizo afirmando que todos são filhos de Deus. Infelizmente aprendi nas igrejas que só os que fazem parte do seu círculo religioso é que são filhos de Deus. Hoje, entretanto, discordo. Penso que todos, indistintamente todos, são filhos de Deus, e acrescento que são filhos queridos. Desde o Papa sentado sobre a maior autoridade da cristandade, passando pelo mais distinto dos pastores e líderes religiosos até o mais incrédulos dos ateus. Deus é Pai da virgem e da prostituta, e mais, Deus ama a todos com amor gratuito, ou seja, sem pedir nada em troca.
Os mais fundamentalistas vão me lembrar do texto de Romanos 8.14 em que se lê:
“... porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus...”, querendo dizer que apenas aqueles que fizerem uma profissão de fé é que são aceitos como filhos.
Não quero causar nenhuma tensão, quero apenas dizer que todos são sim, filhos de Deus, mas que apenas aqueles que nutrem um relacionamento, um estilo de vida em comunhão com o Espírito de Deus, é que se percebe como filho amado de Deus Pai, como afirma o versículo 16 de Romanos oito: “O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus”.
Uma vez que não se faz necessário estar ligado a qualquer instituição religiosa para ter um relacionamento com Jesus e o Espírito de Deus, posso afirmar que Deus possui muitos, muitos filhos fora do arraial das igrejas institucionalizadas.

Aba - paizinho
João Ferreira Leite Luz






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