quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Vamos refletir juntos


O Gênesis em sermões expositivos


Texto: Gênesis, 49.


Vivemos um período de pouca introspecção, as pessoas estão desaprendendo a arte de pensar. Aliás, o momento que estamos vivendo é de extroversão, de expansão.
Uma de minhas maiores tristezas em relação ao cristianismo moderno é exatamente o fato de os cristãos não saberem mais pensar. Dói em mim ouvir a prédica dos pastores e pregadores contemporâneos, pois fica evidente que não houve preparo, nem meditação, não se gastou tempo com os livros na difícil tarefa de pensar e repensar os fatos.
De fato a igreja da pós – modernidade é uma igreja extrovertida, pra frente, barulhenta, de muitas festas e avivamentos, mas de pouca reflexão. Não gostamos de pensar, gostamos de respostas prontas, talvez isso explique um pouco esse cristianismo de fórmulas prontas, de métodos enlatados. Isso explica também nosso pouco interesse pelo todo da bíblia, gostamos de lê-la em parte, principalmente aquelas que não exijam muitos esforços para entendê-la.
Acredito que essa seja também a razão pela qual se torna cada vez mais raro ouvir um bom sermão expositivo. Pois um grande sermão expositivo custa muito caro ao pregador. Requer tempo, dedicação, preparo; muita reflexão e disciplina, e nem todos estão dispostos a pagar esse preço.
Gostamos das igrejas que nos ofereçam um ambiente descontraído, leve. Em que não exista dor e nem sofrimento, para ser sincero preferimos lugares onde nos tornamos imunes a esses sentimentos.

No texto que lemos, dentre tantos aspectos importantes que ele apresenta. Existe um que se reveste de grande relevância, pois trata da morte de Jacó.
Talvez a pergunta mais incisiva que devemos fazer é a seguinte: O que um episódio onde há tanta dor e sofrimento, como o da morte de um ente querido pode nos ensinar de bom?

Tecendo algumas reflexões a respeito do impacto que a morte deveria causar nos seres humanos.

1. A morte nos faz perceber o grande valor que a vida possue.

Só se vive uma única vez aqui nesta vida. Portanto a vida deve ser vivida com total intensidade.
Precisamos saborear a vida como quem saboreia um bolo de chocolate - aos pedaços.

La Bruyére, escritor francês disse que:
“A vida humana pode ser resumida em três fatos importantes: nascer, viver e morrer. Mas o homem não se sente nascer, sofre ao morrer e se esquece de viver”.

Goete, poeta Alemão também afirmou:
“A morte é de certa maneira uma impossibilidade, que de repente se torna realidade”.

“Há tempo para nascer e um tempo para morrer diz Salomão; eis o meditar de um grande sábio; mas há um intervalo entre esses dois eventos que é de importância infinita”.
Leigh Richmond
É uma pena que muitos só passam a dar valor à vida quando já estão perto da morte.

2. A morte tem o poder de nos induzir a reflexão, como nenhum outro elemento na natureza humana jamais conseguirá.

Deveríamos nesse momento de grande euforia e pouca reflexão passar a palavra a um grande sábio da antiguidade:

“É melhor ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração”.
“Melhor é tristeza do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração”.
“O coração do sábio está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria”.
Eclesiastes 7.2-4

A partir dessa observação de Salomão o sábio, poderemos pinçar alguns princípios que nos ajudarão a resgatarmos a arte do pensar, de refletir a respeito da vida.
A natureza festiva é péssima mestra para nos ajudar a desvendar os segredos da vida, ou como disse Helmot Thilike: “nos hospitais há um capelão, mas nas festas não”.
Penso que os nossos cultos da atualidade deveriam ser menos extrovertidos, e mais introspectivos, deveríamos fazer menos barulho e olhar mais para dentro de si, ou como disse o apóstolo Paulo: “examine-se cada um a si mesmo”.
Essa palavra é um convite para fazermos uma auditoria, uma análise, uma reflexão.

“Venham, vamos refletir juntos, diz o Senhor” Is 1.18.
João Ferreira Leite luz

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