quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Pode vir alguma coisa boa de uma família assim...?


O Gênesis em sermões expositivos


Texto: Gênesis 39 – I Parte – Olhando o texto a partir da perspectiva de José

Quando nos deparamos com um personagem como José um homem de primeira grandeza, ficamos imaginando que ele deve ter vindo de uma família excelente, com uma estrutura impecável. Seus pais deveriam ser referenciais de vida, seus irmãos modelos a serem seguidos. Entretanto, a bíblia nos mostra outra história.
José viveu em uma casa em que seu pai tem quatro esposas que vivem disputando pela atenção do marido (Gn 29.31-35 e 30.1-22).
José cresce em uma família em que seus irmãos matam toda uma cidade por vingança (Gn 34).
Como agravante a maioria dos irmãos de José o odeiam e querem matá-lo.
Então depois de um tempo de deliberação resolvem vendê-lo para estranhos como escravo (Gn 37).
A primeira pergunta que surge é: Pode vir coisa boa de uma família assim?
José foge a regra de quem cresce na favela tem que ser bandido; de que filha de prostituta tem que ser prostitutazinha e que filho de pastor é pastorzinho. Torna-se verdadeiro o ditado de que “gato nasce no forno mais não é pão”.
José tapa a boca dos defensores da maldição hereditária.
Senão vejamos o próprio texto:

1. O texto começa e termina afirmando que independente do lugar em que José estivesse Deus estava com ele. Vv 2-5 e 20-23.

Deus estava com José quando ele morava com seu pai e lhe dava sonhos proféticos a respeito do futuro.
Quando José foi vendido para o Egito, ele não estava só, pois Deus foi com ele e o abençoou na casa do Potifar.
Quando imaginamos que Deus o abandonou numa prisão fria e escura, o texto diz: “... O Senhor estava com ele...” Vv 20-21.

Deus não está apenas no culto do domingo à noite, pois ele não se restringe aos lugares e a eventos. A divindade não se limita a espaços que nós simploriamente criamos tentando prendê-lo.
Deus está em nós, no meio de nós. A presença dele perpassa todas as coisas. Quando quisermos encontrá-lo basta olharmos para nossa interioridade, pois seu Espírito habita lá. A semelhança de José, Deus está sempre por perto, portanto, precisamos aprender a percebê-lo.

Outro aspecto importante a ser dito é que o essencial na vida é a presença de Deus, porque se na vida tivermos a presença Dele, o resto nós corremos atrás.  (Sl 51.10-11 /Sl63. 3 / Sl 23.1).
Deus é tão evidente na vida de José que até um pagão percebeu esse fato. Vv 2-3. O Potifar logo notou as qualidades incomuns do caráter de José.

Nas palavras de Jesus deveríamos ser referenciais aos demais:
 “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”(Mt 5.13-16).
Então a grande pergunta deve ser feita: o que as pessoas estão vendo em nós?

2. A bênção na casa do Potifar era em primeiro lugar por causa da presença de Deus sobre José, todavia, não podemos omitir as habilidades humanas de José V.4.

Não podemos ignorar que aqui há uma sociedade entre a divindade e José. Porque Deus está abençoando o trabalho de José, ou seja, José entra com o esforço, com dedicação, com trabalho diligente e Deus o abençoa tornando hábeis suas mãos.
È digno de nota que José tem um histórico de hábeis homens na sua família. Abraão seu bisavô era pastor de rebanhos, seu avô Isaque seguiu o mesmo ofício. Jacó por sua vez era perito em cuidar de rebanhos de ovelhas, e por consequência José herdou da família a habilidade para o trabalho.  

Outra coisa, José não era um preguiçoso como os crentes da atualidade que ficam orando e esperando um anjo do céu para fazer suas responsabilidades. Ao contrário, ele arregaça as mangas e coloca a mão na massa, e, é exatamente por isso que Deus o abençoa.

3. José foi um homem de outra qualidade, um homem de grande calibre que sabia onde queria chegar Vv 7-10.

José não se rendeu aos apelos da bela mulher do Potifar não por ele ser uma espécie de super-homem imune aos desejos sexuais, pois como todos ele possuía a libido.
A pergunta que fica é como ele conseguiu vencer a tentação?
Penso que posso apontar algumas pistas:
-José possuía algo inegociável - o temor de Deus. José conhecia tão intimamente seu Deus que sabia que esse ato seria uma afronta a sua amizade V.9.
-O caráter de José não permitia trair a confiança que potifar depositou nele. José gerava expectativas no potifar e queria correspondê-las Vv8-9.
-José sabia que uma alta posição requereria grandes responsabilidadesVv8-9.
Ele tinha um alvo, um objetivo bem definido em que queria chegar. José estava tão engajado, tão entregue a um projeto que nem mesmo os encantos sedutores de uma mulher como a do Potifar o fez desistir.

4. José tinha por maior objetivo o próprio Deus e não apenas suas promessas V.21.

José sabia que ser leal a Deus não significava recompensa imediata. Ele se mostrou um homem que é verdadeiramente sensato procedendo com igual prudência na prosperidade e na adversidade.
Da mesma maneira diligente que ele trabalhou na casa do Potifar. Quando ele foi preso no cárcere não mudou sua filosofia de vida, pelo contrário, continuou com a mesma garra Vv 22-23.

Paulo chamado apóstolo compreendeu bem esse princípio, já que experimentou em sua própria vida: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”.
(Fp 4.11-13).

A maior recompensa para José era o próprio Deus, pois o texto diz enfática e peremptoriamente: “O Senhor estava com José”.

A pergunta inicial tem sua resposta, já que independente de quem nós somos, de que família viemos ou quão grandes pecados cometemos. Se Deus estiver conosco na caminhada vai valer a pena. Sim, Pode vir alguma coisa boa de uma família assim...

“Insistir é preciso”
João Ferreira Leite Luz

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