quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O perigo de negligenciarmos os vínculos afetivos no casamento


O Gênesis em sermões expositivos


Texto: Gênesis 39 – II Parte – Olhando o texto a partir da perspectiva do Potifar e sua mulher

Em minhas pregações já afirmei que uma das tarefas mais difíceis da atualidade é a de se manter casado, hoje, contudo, acredito que a maior dificuldade é a de se manter casado com qualidade, viver um relacionamento a dois que valha a pena ser vivido.
O pastor e terapeuta familiar Josué Gonçalves afirma que: “Nenhum sucesso justifica o fracasso de uma família”.
Porque qual a prioridade no casamento senão o outro? Por isso adoro a afirmativa de Millôr Fernandes: “Tenha um caso com sua mulher antes que alguém o faça”.

Vamos olhar para o texto numa perspectiva a partir do relacionamento conjugal de Potifar.

1. A negligência na atenção e no cuidado com o cônjuge pode gerar conseqüências desastrosas.

A primeira pergunta é quem era Potifar?
Potifar é militar, mais precisamente oficial do Faraó e capitão da guarda, ou seja, ele era o chefe da guarda pessoal do Faraó de suas coisas íntimas; do aposento, enfim da casa do rei egípcio (cf. V1).
Potifar ao que parece também tinha o cargo da prisão em que eram colocados os prisioneiros do rei (cf. V20).
Portanto, o texto parece indicar que Potifar era um marido sempre ausente, não só no sentido físico da palavra, uma vez que é possível estar ausente estando de corpo presente. Prece-me que o Potifar estava tão ocupado com seus altos afazeres de oficial que mal sobrava tempo para sua própria mulher.
Isso fica claro não só porque a mulher dele busca em José aquilo que não encontra no marido, mas também pelo fato de sobrar tanto tempo para que ela assedia-se a José seu empregado. (cf. V7-10-11 e 12).

È digno de nota que a grande maioria dos pregadores gostam de crucificar a mulher do Potifar, olhando para a situação como se ela só fosse à culpada. Gostaria de chamar sua atenção para a parcela de culpa do marido, do Potifar que se achava ocupado demais, numa posição alta demais, que acabou negligenciando o mais básico no casamento – a companhia.

Me dói saber que muitos pastores trocam à companhia da mulher em busca de sucesso ministerial, vivem enfiados em vigílias, cultos, campanhas etc. E acabam por destruir seus lares. Que lastima!

Vou transcrever aqui um artigo que expressa o princípio que quero transmitir:

“Quantos pastores destruíram suas famílias e filhos no afã de serem úteis e produtivos [...] Pediria que não perdessem a oportunidade de passear com os filhos no parque, [...] de curtirem a sua mulher. Eu pregaria um sermão baseado em Mateus 16.26 e explicaria que, para Jesus, perder a alma tem um sentido mais amplo do que simplesmente morrer e ir para o inferno. Basearia minha mensagem na afirmação de que um pastor ou evangelista pode ganhar o mundo inteiro e acabar perdendo os afetos do cônjuge, os sentimentos dos filhos e dos amigos, a auto-estima, o sorriso, a capacidade de amar poesia e de cantar canções de ninar. Enfim, perder a alma!”.

O que os evangélicos não falam pg. 186

2. A falta de confiança no relacionamento pode miná-lo e por fim destruí-lo.

O fato de José não ter sido executado imediatamente, e também de ter sido colocado não na prisão comum, mas junto com os prisioneiros do rei, pode indicar que Potifar não estava plenamente convencido das acusações da esposa.
È intrigante, pois para José alcançar a gerência no cárcere dependia da aprovação do próprio Potifar. Então a pergunta é polêmica: como pode o marido proteger aquele que tentou adulterar com sua esposa?
Penso que a resposta aponta para a desconfiança que o Potifar ficou de sua esposa e sua história mal contada.

Nenhum casamento terá sucesso se uma de suas bases principais não for à confiança mutua. A pior coisa no casamento é viver desconfiando, ou o contrário, viver sendo desconfiado. Esse tipo de casamento é a ante-sala do inferno, pois não há paz interior. A mente vive maquinando pensamentos a respeito do próximo.

3. No casamento precisamos aprender a trabalhar o nosso amor pelo cônjuge, pois quando o fogo da paixão esfria precisamos nutrir o amor maduro.

A mulher do Potifar não amava a quem deveria amar, amava a quem não deveria.
Acredito que tudo começou com uma profunda admiração por quem José era e não apenas por sua beleza física. Penso que a bíblia usa o termo quando se refere à beleza de José como introdução a este assunto, pois posteriormente ela afirma: “... e depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo...”. Evidenciando que foi depois de um tempo de admiração que de repente se transformou em violenta paixão.

O amor maduro que vem depois de anos de convivência com o cônjuge é um amor que primeiro respeita, depois admira, amor que entende e perdoa. Amor que sabe dizer sim e muitas vezes também diz não.
Amor verdadeiro é aquele que confia e ao mesmo tempo sabe ser fiel em face das tentações. Então o amor deixa de ser apenas um sentimento emotivo do coração, para se tornar um amor que vem da mente, da compreensão.

Triste é constatar que muitos cristãos ainda vivem um amor infantil de filmes e novelas que não tem nada a ver com o cotidiano.
Nunca devemos nos esquecer que o amor antes de ser um sentimento emotivo do coração, ele é um mandamento aprendido pelo intelecto, ou nas palavras de Paulo, chamado apóstolo:
“Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo respeito”. Efésios 5.33.

Que Deus nos ajude!
João Ferreira Leite Luz

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