quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Batalhei minha batalha


O Gênesis em sermões expositivos


Texto: Gênesis, 48.


Sem dúvidas, quando falamos de Jacó, estamos tratando de um grande batalhador, de um grande guerreiro. Inclusive o próprio Deus disse que Jacó era um lutador:- “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com os homens e venceu” Gn 32.28.
Jacó chegou ao fim de sua vida, ele está com aproximadamente 147 anos de idade. No entanto ele tem a noção de que grande e difícil foi a sua batalha de vida, mas ele venceu, e é verdade, algumas ele perdeu, mas isso não lhe roubou a capacidade de terminar a vida crendo no seu Deus. No novo Testamento o apóstolo Paulo também terminou sua história de vida assim, ao ponto de dizer a Timóteo:- “Combati o bom combate, terminei a corrida (batalha), guardei a fé” II Tm 4.7.
O interessante nesse texto em que Jacó transfere a benção do concerto para o seu neto Efraim, é que ele deixa transparecer como foi sua trajetória de vida. Jacó ao lembrar um pouco de sua história nos fornece pistas de como batalhar nossas batalhas e chegar ao final da vida com o coração cheio de fé.

Aprendendo a batalhar com o velho Jacó, e sua história.

1. Jacó nos ensina que é de grande valor trazer à lembrança as promessas de Deus.
V 3-4.
Jacó quando fala com seu filho José sobre a benção do concerto (aliança feita com o povo Judeu), ele traz a memória o dia grandioso em que Deus o encontrou pela primeira vez, para lhe dar a promessa do concerto Gn 28.10-28.

Para abrirmos nossa discussão, acho que seria prudente citar aqui o que disse o profeta da antiguidade chamado Jeremias, quando lamentou sobre Israel:

“Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança”.
Lamentações de Jeremias 3.19-21.

É natural nos dias difíceis em que vivemos que a nossa mente se ocupe com tantos problemas. Mas existe um lugar onde podemos encontrar refúgio, e esse lugar é quando permitimos que nossa memória se ocupe das coisas boas que já vivemos, e da promessa de que dias melhores ainda virão.
Porque é fator determinante aquilo que pensamos, ou como disse certo pensador: “nós somos a conseqüência daquilo que pensamos, ou, você é do tamanho dos seus pensamentos”.
Quando o pensamento se ocupa só de coisas ruins, não se admire de ser uma pessoa amarga e ressentida com a vida.

È como se Jacó disse-se: cheguei ao final da vida depois de tantas lutas, mas trouxe comigo boas lembranças.

2. Jacó nos lembra que, Deus sempre vai além das nossas expectativas V11.

A verdade é que Jacó não tinha mais esperanças de rever seu filho José, pois pensava que este já estivesse morto. No entanto Deus não apenas restituiu o filho a Jacó, como também lhe deu a oportunidade de conhecer seus netos, inclusive o futuro portador da benção do concerto.
O bom da história é que Deus nunca nos retribui de acordo com nossos méritos. A justiça de Deus nunca é segundo a retribuição de nossos atos, mas sempre segundo sua misericórdia e gratuidade.
E é exatamente por essa razão que sempre recebemos mais do que na verdade merecíamos.
É por isso que quando tropeçamos e caímos, Deus nos levanta e nos abençoa, quando na verdade merecíamos o castigo. Por esse motivo é que o filho pródigo da parábola contada por Jesus, volta querendo ser um empregado e seu pai lhe restitui a posição de filho, e filho amado.
Também é por essa razão que Deus pega uma prostituta e a dignifica como mulher de família. Porque quais são as expectativas de uma prostituta, que vive uma vida vazia de sentimentos, que ao mesmo tempo pode ter vários homens e não ter nenhum?
Pois é exatamente esse tipo de gente sem muitas expectativas, que Deus mostra que ele não se restringe as fronteiras do raciocínio humano.

Jacó entendeu que o que ele tinha, era bem mais do que ele merecia.

3. Jacó através de sua vida e de seu procedimento deixa claro que ter primazia entre os homens, não significa ter primazia diante de Deus V 19-20.

Deus ao escolher Efraim como portador da benção do concerto, estava quebrando todos os paradigmas do entendimento de que era sempre o primogênito quem deveria receber tal privilégio.
Parece-me que no Antigo Testamento há sempre uma constante, em que Deus inverte a lógica na escolha. Senão vejamos:
Escolheu Isaque em vez de Ismael (Gn 21.12), Jacó em vez de Esaú (Gn 25.23), José em vez de Rúbem (Gn 48.21-22), Efraim em vez de Manassés (Gn 48. 14-20), Gideão em vez dos irmãos dele (Jz 6.11-16), e Davi em vez dos irmãos dele (I Sm 16).
Deus dessa vez escolhe não um filho, mas um neto de Jacó para ser o sucessor patriarcal.
O interessante é que estamos aprendendo sobre não viver a vida em busca de sermos reconhecidos diante dos homens, com um homem que passou um bom tempo de sua vida correndo atrás do prestígio. Jacó que sempre quis ser o primeiro, agora, depois de uma longa caminhada com Deus, ele consegue nos transmitir valores a respeito de ter primazia diante de Deus.
Gostamos muito de cantar uma música que diz mais ou menos assim: “... eu não preciso ser reconhecido por ninguém, minha glória é fazer com que conheçam a ti...”. Estamos mesmo de fato vivendo em coerência com que cantamos? Ou não passa de bravata.
Eu entendo que a busca de reconhecimento seja uma coisa natural. Agora, o problema é que quando se dá uma ênfase exacerbada, portanto mais do que exagerada na busca do reconhecimento corremos o risco de perder a alma.
Jesus disse que para ser o maior no reino dos céus tem de ser o menor aqui, e quem quiser ser o primeiro, deve ser o último, e ainda que quem se humilhe é aquele que será exaltado.
Os grandes homens e mulheres de Deus nunca gostaram que se jogassem “confetes” sobre eles, pelo contrário, sempre buscaram a discrição.

“O santo não ama a propaganda. Quanto mais em sintonia com Deus, mais discreto e humilde é”.
Frei Jorge E. Hartman.

São Francisco de Assis afirmou as seguintes palavras:

“O homem vale o que é diante de Deus e nada mais”.

Hoje neste tempo da igreja, estamos embriagados por sucesso, por aplausos humanos. Na nossa cabeça capitalista os mais famosos devem ser os mais usados por Deus, no entanto, esquecemos que o reino de Deus é construído por anônimos, gente que não é famosa.
Acredito que aqueles que necessitam propagandear seu poder, ainda não entenderam o que realmente significa poder espiritual.

Que o Senhor nos ajude a terminar nossa batalha, e a guardar nossa fé. Amém.

"Batalhar é preciso"
João Ferreira Leite Luz

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