quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aprendendo na prisão do Egito junto com José


O Gênesis em sermões expositivos


Texto: Gênesis 40

È intrigante quando falamos que um homem íntegro, correto e bom; que na verdade é um verdadeiro homem de Deus como José esteja numa prisão esquecido por todos, e, inclusive aparentemente esquecido por seu próprio Deus. Porque no cristianismo atual não existe espaço para um servo de Deus passar por tamanha afronta, aliás, ser cristão hoje em dia significa ser imune aos sofrimentos. Contudo, vamos dar uma olhada na vida de José no período em que ele esteve preso, e quem sabe aprendemos algumas lições.
1. Precisamos aprender a aceitar os tempos de Deus Vv. 14 e23.
No versículo 14 José ao interpretar o sonho do copeiro aproveita e lhe pede um favor, pediu para que quando ele estivesse de novo junto ao Faraó fizesse menção dele e de que maneira injusta José havia sido colocado na prisão. Entretanto, o versículo 23 diz que o copeiro esqueceu completamente de José.
Acredito que o esquecimento do copeiro não seja algo comum, mas que vinha do próprio Deus, pois quem se esquece de um episódio desses em que se escapa da morte. Penso que isto está assim para que José aprendesse os tempos de Deus.
O tempo de Deus é diferente do tempo do homem, já que somos de uma geração imediatista.Não queremos aceitar, mas a verdade é que a formação do caráter de Jesus em nós leva muito tempo, não se faz um grande homem de Deus do dia para a noite, às pressas. Inclusive, Deus não tem pressa nenhuma em forjar seus valentes.
Nesses últimos dias têm surgido movimentos de formação de líderes em apenas um encontro de final de semana, mas na verdade um pregador se leva muito tempo para ser feito. Reflitamos nas palavras que se seguem:
“Talvez, estejamos sucumbindo ao imediatismo de nossa época. Procuramos métodos rápidos porque talvez saibamos que a arte da pregação leva muito tempo-: Um homem, um homem inteiro, é o que há por detrás de um sermão. Pregar não é fazer uma apresentação de uma hora, mas o fruir de uma vida. Leva vinte anos para se fazer um sermão, porque leva vinte anos para se fazer um homem”.E.M.Bounds
Outra coisa a ser dita é que Deus sabe o momento exato de exaltar seus filhos cf. 41.9-14 e 39-41.
Ouçamos o conselho de Pedro: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte”. I Pe 5.6.
Um dos homens mais sábios que existiu nos deixou uma grande reflexão sobre o tempo, senão vejamos o que escreveu Salomão o sábio:
Eclesiastes 3.1-8.
TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
É como se Deus dissesse: José, agora é tempo de provação e não adianta buscar o tempo da bênção. José você vai ser o governador do Egito, mas espere aí, pois ainda é tempo de provação.
Então precisamos aprender a discernir o tempo de Deus para nossas vidas. Qual é o tempo de Deus para sua vida hoje?
2. Precisamos aprender que o tempo de provação pode ser um período de aprendizagem.
Deus estava preparando José para o trono, ou seja, estava lhe ensinando como enfrentar todas as dificuldades que ele iria enfrentar como governador num período de grande fome sobre o mundo antigo.
Se eu entendo que as provas que enfrentei no passado me prepararam para o que estou vivendo hoje. Então tenho que admitir que as lutas de hoje estejam me preparando para o que vou enfrentar no futuro. Desse ponto de vista a vida é toda constituída de lutas e provações, desfazendo assim aquele conceito hedonista de que o cristianismo nos dá uma espécie de carta de alforria para provas e tribulações.
Num desses dias ouvi uma frase em um filme e quero transcrevê-la aqui:
“Na vida você não perde, adquiri experiências”.
Passemos a palavra para Paulo, chamado apóstolo:
“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança (paciência); e a perseverança, experiência; e a experiência, a esperança”.Rm. 5.3-4-5
Na verdade é difícil aceitar, mas existem bênçãos que advém da tribulação.
Existe uma pergunta que necessita ser mudada, não deve ser: “Senhor porque eu estou passando por lutas?”, mas sim: “Senhor como eu vou reagir face às dificuldades da vida”?
Aceito que quando passamos por lutas na vida, isto pode estar nos preparando para um propósito maior, pois é no ardor da luta que adquiro tenacidade para enfrentar situações que viram pela frente.
Os gigantes de Deus foram forjados na têmpera da dificuldade e da provação. È como se Deus dissesse: José o que é que você quer: sair agora da prisão e voltar a governar a casa do Potifar, ou, esperar mais dois anos e depois ser colocado no trono ao lado do Faraó, a escolha é sua.
E nós o que vamos escolher?
João Ferreira Leite Luz

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