quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"A Religião que Deus, nosso Pai, aceita"

Categoria – estudos

Isaias, 1.11-17

11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.
12 Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?
13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene.
14 As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de sofrê-las.
15 Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
16 Lavai-vos, purificai-vos, tirai à maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal.
17 Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.


Existe algo que se reveste da maior importância a ser dito, é que dos versículos 10 a 15, Deus está falando através do profeta Isaías de uma espécie de culto que ele (Deus) não tolera, senão vejamos no versículo 15: “Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei!”.
No entanto, nos versículos 16 e 17. Deus passa a mostrar o que pode deixar o culto agradável: “Aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva”.
Acredito que quando a bíblia fala de ajudar o próximo, não está falando apenas da obra social como um fim em si mesma. Penso que quando a bíblia trata desse assunto, ela esteja lidando com alguma coisa muito mais profunda, ou seja, os sentimentos e as motivações que me fazem compadecer do próximo. Os sentimentos e as motivações que me levam a ter compaixão pelo meu irmão, servem como indicadores do tipo de religião que eu possuo.
O meio irmão de Jesus, mais conhecido como Tiago, fala no Novo Testamento a respeito da religião, do culto, que Deus aceita, vejamos: “A religião que Deus nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo”. Epístola de Tiago 1.27
Não que o cristianismo deve ser reduzido a assistencialismos sociais, não é isso. Mas o grande paradoxo é que só é possível achegar a Deus através do próximo, ou seja, o relacionamento que eu tenho com as pessoas indica o nível de relacionamento que eu tenho com Deus. É impossível viver uma espiritualidade centrada em Deus, que por sua vez não tenha vínculos com o próximo; vejamos nas palavras de João o apóstolo: “Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar seu irmão é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também a seu irmão”. I João 4.19-20. Ou ainda:
“Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?”. I João 3.16-18.
Gosto das palavras de Madre Teresa, “O amor não pode ser fim em si mesmo, não teria significado. O amor deve ser posto em ação, e tal ação é serviço [...]. O amor posto em prática é serviço”.
Acredito que a vida só vale a pena ser vivida em função do bem que se fizer ao próximo, porque só é possível servir o criador, servindo a criatura e, só se sobe a Deus descendo aos homens. A grande lição na parábola do bom Samaritano foi exatamente essa: eu possuo um relacionamento com Deus, mais até quanto eu estou disposto a me sacrificar pelo outro? Será que a semelhança do sacerdote e do levita. Estamos tão ocupados com nossos afazeres religiosos que não nos sobra tempo nem para ajudar os menos favorecidos?
O que dizer da injustiça social no Brasil, onde estão as igrejas que eram para ser entidades de justiça? Onde estão os pastores que eram para ser referenciais de doação ao próximo? O problema é que a igreja está tão embriagada por poder, dinheiro e sucesso que ela está se esquecendo do seu principal papel, ser promotora da justiça, e antecipar sinais do reino de Deus. È por essa razão que está se tornando quase impossível ver sinais do reino nas igrejas, mas bendito seja Deus, porquanto ainda é possível ver os sinais do reino de Deus em pessoas.
Quando a bíblia nos fala sobre assistirmos os órfãos e as viúvas em suas necessidades, penso que ela esteja usando um termo genérico, ou seja, os órfãos e viúvas representam os menos favorecidos, ou ainda, representam o ser humano quando estão passando por dificuldades e nem se quer são lembrados. O intrigante é que o profeta Isaías profetizou cerca de 700-680 antes de Cristo, e, no entanto, o que ele falou continua atualíssimo, haja vista o descaso que se tem com os idosos. E o que dizer dos nossos adolescentes que são entregues ao mundo do crime cada vez mais cedo. Alguma coisa está muito errada com uma igreja que não se preocupa com seus “órfãos e suas viúvas”, ou seja, com a sorte dos menos favorecidos.
Gostaria de finalizar com a pergunta que o mestre da lei fez a Jesus na parábola do bom Samaritano: “E quem é o meu próximo?” (para que eu use de misericórdia) Lucas 10.29.
Essa pergunta cabe a cada um de nós respondermos, não apenas com palavras, mas principalmente através da vida.

“Isso fica feliz em ser útil”
João Ferreira Leite Luz

3 comentários:

james disse...

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Misericórdia, e paz vos sejam multiplicadas.


Estamos fazendo uma visita, aproveitando para acompanhar seu exímio espaço, e lhe convidar para que nos faça uma visita, e nos dar a alegria de ser também um de nossos seguidores...

Nosso humilde blog Jesus, o maior Amor , se prima pelo fato de não propagar teologias, doutrinas, tendências, congregações, bandeiras religiosas, mas na pregação do evangelho de paz de nosso Senhor Jesus Cristo, e na união de todos aqueles que desejam adorar ao Senhor em espírito e em verdade.

Sejam consolados nossos corações, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para entendimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo, revestimo-nos de amor, que é o vínculo da perfeição.

Deus nos abençoe nesta rica caminhada, e que os desígnios do Senhor nos mostrem como sermos verdadeiros adoradores, independente de quatro paredes, mas nas tábuas de nossos corações, edificando-nos uns aos outros...


Por Cristo. Em Cristo. Para Cristo. Nos interesses de Sua Igreja.


Fraternalmente,


James.
Jesus, o maior Amor
Comunidade "Adoradores em Casas"
Comunidade "Blogueiros Cristãos"

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Pastoragente disse...

Graça e paz!
“Andando” por aí cheguei até o seu Blog e quero te parabenizar pela bênção que pude ver aqui.
Já estou te seguindo e será uma honra te receber no pastoragente.blogspot.com.
Se quiser segui-lo vai ser uma alegria pra mim.
No blog conto da forma mais realista e divertida possível as realidades, dúvidas e experiências de uma simples pastora como eu.
Fique na paz. Um abraço.

João Ferreira disse...

Queridos,

Sou grato pela atenção e generosidade de vocês. Que Jesus enriqueça suas almas.

João, seu servo