domingo, 2 de novembro de 2008

Memória, nuanças e percepções

(Categoria - Minha história)

“A morte é de certa maneira uma impossibilidade, que de repente se torna realidade”.
Goete - Poeta alemão

Coincidentemente ou não. Ontem passei por dois cortejos fúnebres, automaticamente me lembrei de quatro meses atrás em que eu acompanhava o cortejo do funeral do meu pai, a partir desse momento abaixei a cabeça em sinal de reverência e segui meu caminho.
É interessante como a vida muda à medida que envelhecemos. A morte de alguém nunca tinha me causado dor, aliás, nunca me incomodei por passar perto de um funeral até o dia em que perdi meu pai, daí comecei a considerar a possibilidade da morte das pessoas que amo. Passei a refletir sobre a morte não apenas como conceito, mas como a verdade mais inexorável que existe.
Portanto, começo mudar meus valores a respeito da vida. Pretendo valorizar cada momento, porque cada momento é único, não se repete. Não se vive duas vezes identicamente a mesma experiência.
Quero passar mais tempo com minha mãe e ouvir suas histórias sobre sua infância sofrida e também sobre o passado da nossa família, quero me aproximar mais dos meus irmãos e conhecê-los melhor. Sinto uma maior necessidade de estar com meus filhos queridos, e desfrutar mais da vida junto com minha esposa amada. Não me importarei com a hora quando estiver jogando conversa fora com meus amigos.
Quero para mim o espírito desse poema, atribuído ao poeta argentino Jorge Luiz Borges:

Se eu pudesse viver novamente minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria mais rios, Iria mais a lugares aonde nunca fui
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e produtivamente cada minuto da sua vida;
claro que tive apenas momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida,
Só de momentos, não percam o agora.

Aos trinta e um anos de idade sinto uma necessidade imensa de não apenas existir, mas viver de forma intensa cada momento. Procurarei atender ao conselho do escritor Michel Quoist: “Porque esperar o amanhã para viver? Um dia não terá mais amanhã para você e você não terá vivido”.
Também buscarei diligentemente dar ouvidos ao grande sábio da antiguidade chamado de Salomão quando escreve o texto Bíblico do Eclesiastes 9.7-9: “Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. Esteja sempre vestido com roupas de festa, e unja sempre sua cabeça com óleo. Desfrute a vida com a mulher a quem você ama, todos os dias desta vida fugaz! Pois essa é a sua recompensa na vida pelo árduo trabalho debaixo do sol”.

Que Deus me ajude!
Carpe diem
João Ferreira Leite Luz

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