domingo, 2 de novembro de 2008

Indignação

(Categoria - Reflexões)

“Se você treme de indignação perante uma injustiça cometida contra uma pessoa em qualquer lugar do mundo. Então somos companheiros”.
Che Guevara

Não suporto as injustiças sociais cometidas contra os meus irmãos, filhos da nação brasileira.
Fico moído por dentro ao observar a sorte pobre de minha família, as incontáveis dificuldades que minha mãe enfrentou para criar seus oito filhos sem pai, e, aliás, as dificuldades que ela uma velhinha de 70 anos de idade ainda enfrenta para viver com o mínimo de dignidade com uma aposentadoria irrisória. Num país em que a distribuição de renda é extremamente desigual. Recuso-me a aceitar o destino cruel de algumas sobrinhas que entraram para o mundo do vício, precocemente se tornaram mães, mães solteiras.

Minha indignação é grande, ou melhor, crescente, diante da percepção que tenho ao observar aqueles que estudam, lutam, trabalham e nunca chega a lugar nenhum. Devido ao sistema que é excludente e privilegia os mais abastados. Sinto ódio, repulsa pela política e pelos políticos brasileiros que cada dia enriquece a custa daqueles que empobrecem. Mensalão, CPI dos correios, desvio de verba pública, dinheiro da merenda escolar depositado na conta de um espertalhão na Suíça, dólar na cueca e sei lá mais o quê.
Quem depende do SUS – Sistema Único de Saúde. Perdoem-me a expressão chula, mas está “ferrado”, pois precisa levantar às 5 horas da manhã para enfrentar fila e ser atendido às 7, e, correndo o risco da cota ter extrapolado a quantidade prevista. Se precisar fazer algum exame, ou de um especialista, aí é que o caso complica, pois vai entrar numa fila de espera de no mínimo 3 meses. Porque a saúde pública é uma vergonha? Porque a polícia e os professores recebem salários tão baixos? Onde é que está indo o dinheiro dos nossos impostos?

Fico aborrecido de pertencer a uma geração de evangélicos que vivem preocupados com bens materiais; milagres, riquezas, saúde e sucesso. Mas se esquecem de promover a justiça. Não ligam a mínima para a sorte de milhares de pessoas que todas as noites vão dormir com fome. Nem se quer imaginam a pobreza que muitos indianos vivem na cidade de Bombaim, onde os mendigos ficam literalmente amontoados pelas calçadas. Nada sabem sobre a sorte da África do Sul, o país com o maior índice de aidéticos do mundo. Nunca visitaram um leprosário, jamais fizeram missões entre crianças refugiadas de guerra.
Não tolero a prédica de pastores que inescrupulosamente vendem bênçãos em troca de dízimos e ofertas. Enganam os menos avisados, esfoliam o pobre que ganha salário mínimo e anda a pé, enquanto o “ungido” de Deus anda de carrão, come do bom e do melhor, e mora numa casa ampla e confortável.

Não, não me conformo e pretendo continuar me indignando cada vez mais. Recuso-me aceitar toda essa injustiça como se fosse à coisa mais normal do mundo.
Que Deus me ajude.
Aberratio ictus
João Ferreira Leite Luz

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