domingo, 2 de novembro de 2008

Fazendo com que nosso cotidiano valha a pena, e as coisas triviais da vida se transformem em milagres

(Categoria - Reflexões)

Onde está a vida abundante que Jesus prometeu? Penso que essa seja a pergunta mais crucial, mais encurraladora que os cristãos modernos devem se fazer. Vivemos uma igreja que promete bênçãos como se fossem produtos num mercado de atacado, as campanhas de prosperidade, saúde e sucesso se multiplicam velozmente na tentativa de viabilizar a promessa de Jesus de que teríamos vida abundante. No entanto, a igreja vive uma de suas piores crises; a de significado, crise existencial, simplesmente as pessoas estão lotando nossos templos, mas, ainda carecem de uma vida com significado. Gostaria de afirmar alguns postulados impopulares, correndo até o risco de ser considerado cético e crítico. Todavia, me arriscarei expondo algumas de minhas inquietações pessoais. Vamos lá:

Talvez, o grande segredo da vida não consista em viver coisas grandiosas sempre, mas em aprender a desfrutar das coisas simples e pequenas do cotidiano. Como ter um amigo, nem que seja um pecador como Zaqueu o publicano, e que nos leve para jantar em sua casa. Pois a vida é constituída de momentos simples. Tomemos como exemplo, Jesus, que viveu intensamente suas amizades com gente pobre e pecadores, gente de má fama e excluídos da sociedade. Jesus viveu nesse mundo e entendeu o que significa o real valor de uma amizade.

Talvez, o grande desafio não seja aprender como adquirir riquezas e prosperar, mas em meio à pobreza ter forças para continuar lutando em um mundo de desigualdades e, ainda sim ter uma esmola para dar como fez a viúva pobre que depositou suas únicas moedas na arca do tesouro. Pois, aqueles que vivem embriagados por prosperidade corem o risco de acabarem a vida sem “alma”, sem afetos e sem sensibilidade, porquanto seu maior objetivo foi o ter, e não o ser alguma coisa.

Talvez, o objetivo do casamento não seja escolher o par perfeito, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre, pois, “casamento é o compromisso de aprender dia após dia a resolver as brigas e as rusgas cotidianas de forma construtiva”. Casamento não é um pacote pronto, não se resolve às diferenças matrimonias simplesmente fazendo campanhas religiosas ou recebendo a oração “forte” do pastor “super-ungido”. Um casamento feliz não acontece por “osmose”, necessita ser construído em parceria, nunca deve ser unilateral.

Talvez, devêssemos repensar nosso conceito de família, em que nós os pais trabalham afoitadamente em nome de um futuro melhor, mas em contra partida não encontramos tempo para sorrir, para brincar, e estar simplesmente sem fazer nada ao lado dos nossos filhos. Necessitamos entender o conceito do sabhatt (sábado) da lei no antigo testamento. Pois, essa lei não se refere a um dia fixo, mas existe um princípio embutido nela, e, é exatamente isto que estou tentando expressar aqui: que depois de um período de correria devemos parar para recuperar as forças, o ânimo. Parar para estar ao lado de quem amamos, pois “time is not Money” (tempo não é dinheiro). “Tempo é vida, e vida é uma riqueza não renovável” já disse um grande pensador.


Talvez, o grande milagre do século 21 não seja o mudo falar, ou o cego ver; ou ainda o aleijado andar. Mas sim, enxergarmos o milagre bem ao nosso lado, nos mendigos, nos homossexuais; nas prostitutas, no menor abandonado, no necessitado e no vizinho do outro lado da rua. Em minha opinião deveríamos tirar os olhos dos “grandes” milagres e nos agacharmos para podermos enxergar os milagres miúdos.

Talvez, devêssemos reavaliar nossa concepção de igreja, de corpo de Cristo. Onde temos muitos colegas de ministério e não amigos de verdade, em que encontram muitos irmãos de religião e não “amigos de fé, irmão camarada”. Vivemos o período da falência das amizades sinceras, porquanto, os amigos só valem pelo que fazem ou pelo que possuem. Estamos nos esquecendo que todos podem ser substituídos naquilo que fazem, mas ninguém é substituído naquilo que é, somos únicos, portanto, todo relacionamento é impar, sem igual.

Talvez, Precisamos de uma teologia que pense a fé dentro do contexto contemporâneo em que estamos inseridos e não uma teologia engessada dentro de um período da história, que escraviza e gera um fundamentalismo asfixiante. Necessitamos re-significar nossa teologia, em que oferecemos bênção a granel, como se a igreja fosse um grande super-mercado da fé. Urge voltar ao anúncio de uma teologia relacional em que Deus procura como Pai, filhos e filhas que lhe adorem em espírito e em verdade por meio do sacrifício de seu filho Jesus de Nazaré.

Que Deus nos ajude!
Semen est verbum Dei
João Ferreira Leite Luz

4 comentários:

Sola Fide disse...

Parabéns pela iniciativa meu amado!

João Ferreira disse...

Obrigado! Valeu irmão

Bianca disse...

bem legal...o mundo precisa de gente que pense assim cm vc

João Ferreira disse...

Fico grato por ter gostado