domingo, 30 de novembro de 2008

Cogitações a respeito do adultério

(Categoria - Reflexões)

O adultério antes de ser consumado no ato, ele é realizado num canto escuro da mente chamado de coração. “Enganoso é o coração, mais que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Já dizia Jeremias o profeta da antiguidade. O próprio Jesus disse que o adultério acontece primeiro no coração, para só depois ser consumado na prática. O ato, portanto é somente o desdobramento, a conseqüência daquilo que na verdade já existe no coração.
É necessário, portanto, desfazermos a tensão entre cobiça e apreciação do que é bonito. Tanto o homem quanto a mulher aprecia o que é belo, isso é intrínseco a própria natureza humana. Existem bonitas mulheres e devem ser admiradas por sua beleza. Também existem belos homens e também são apreciados pelas mulheres. Mas o fato de admirar ou achar bonito não diz necessariamente que quero para mim. Já a cobiça é o desejo desmedido, sôfrego e ardente pelo objeto desejado. O importante não é se olhamos ou não para o sexo oposto, e sim as motivações que temos quando olhamos; as intenções que nutrimos no mais íntimo do nosso coração.
Não são poucos aqueles que imaginam que a cobiça (desejo desmedido) não constitua adultério, pois é algo apenas no campo da imaginação. No entanto, quando Jesus disse que é possível sim adulterar no coração, ele estava falando de algo relacionado com Deus, ou seja, quem cobiça, de fato perante os homens não adultera, pois é algo na mente e que ninguém mais sabe senão só a própria pessoa e Deus.
É exatamente aí que se encontra a questão, pois Deus sabe que o adultério ainda não aconteceu por que: a pessoa é casada e por isso teme as conseqüências, ou talvez porque ainda não teve coragem, ou faltou oportunidade. Deus conhece as intenções do coração e sabe que no dia em que der certo, provavelmente a pessoa que cobiça, vai tirar o adultério do canto escuro da mente, das imaginações abstratas, e vai transformá-lo em atitude concreta. Passando assim a ser adultero não só no coração e diante de Deus, como também diante dos homens.
Quando a bíblia fala do coração humano, sempre o faz numa perspectiva de que ele é propenso ao pecado, e que quando pecamos sempre teve origem em nosso coração.
Se não vejamos:
“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”.
“Ao contrário cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”.
“Então a cobiça, depois de haver concebido, dá luz ao pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.
Epístola de Tiago 1.13-14.

Jesus em determinada questão com os fariseus e escribas disse as seguintes palavras a respeito do coração do homem:

“Mais o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem”.
“Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias”. Evangelho de Mateus 15.18-19.
Se o coração humano é tão propenso assim ao pecado, a essa altura você deve estar se perguntando o que fazer então? Se a priori a bíblia já diz que enganoso e corrupto é o coração.
Aparentemente estamos num impasse, numa sinuca de bico ou ainda num beco sem saída. Contudo, gostaria de afirmar que existe uma solução, ou melhor, um caminho.
Só que esse caminho não é tão simplista como o dos pregadores modernos, que afirmam que é só repreender (“amarrar”) os demônios da pombajira, e pronto, está tudo resolvido num passe de mágica.

Acredito que o caminho para vencer a corrupção do nosso próprio coração, inclusive o adultério, começa com um relacionamento com Deus. Um relacionamento não apenas técnico e sim de intimidade, ou como disse o pastor Batista Ed René Kivitz, quando ele afirma que: “Salvação é um chamado essencialmente a intimidade, e que o chamado a intimidade é necessariamente um chamado a salvação”.
Penso que é só quando mantemos um relacionamento espírito-Espírito, ou seja, Espírito de Deus com espírito humano é que teremos maiores chances de vencermos a natureza humana que é carnal, portanto, pecaminosa.
Paulo, apóstolo, quando escreveu aos crentes da Galácia, lhes falou a respeito das obras da carne ou se preferir “obras de um coração distante de Deus” Gl. 5.19-21.
Mas também assegurou que há um fruto do Espírito ou “virtudes de alguém que caminha com Deus” Gl. 5.22. Ou seja, ele estava dizendo que aqueles que mantêm um relacionamento com Deus o seu Espírito gera no espírito humano um fruto, ou virtudes, que no linguajar bíblico chamamos de fruto do Espírito. Vejamos ainda o que ele diz no versículo 16: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfarei os desejos da carne”.
Penso que quando ele usa o termo andai no Espírito, esteja falando desse relacionamento espírito-Espírito, que de tanto nutrir a presença de Deus podemos dizer que estamos andando com, ou, no Espírito.
O fruto do Espírito é o caráter de Jesus sendo implantado em mim através de um relacionamento com o Espírito Santo, e, é só através de Jesus habitando em mim e gerando o seu caráter, é que tenho condições de vencer o pecado, me torno menos vulnerável ao pecado não imune, pois assim eu seria Deus.
Vejamos o que pastor Kivitz fala sobre a conexão de Deus com o homem através do Espírito santo:
“O ápice da experiência espiritual cristã é o fruto do Espírito. O máximo que um ser humano pode receber de Deus é o próprio Deus, na pessoa do Espírito Santo, e isso resulta numa qualidade de ser somente possível na interação e unidade entre espírito humano e Espírito divino. O produto da experiência espiritual cristã é um tipo de gente, gente igual a Jesus de Nazaré”.
Vivendo com Propósitos, pg149.
Editora Mundo Cristão.

De fato, para vivermos com integridade é necessário seguirmos os passos de Jesus de Nazaré, ser cristão, ou seja, ser parecido com Cristo. Agora, seguir seus passos, só é possível através do Espírito Santo. O bom da história e que nessa luta não estamos sós, pois ele prometeu que estaria conosco. “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” Mt 28.20.

Que Deus nos ajude!
Affectio maritalis – afeição conjugal
João Ferreira Leite Luz

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