terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Carta aberta ao meu irmão




Querido Paulo,

De pé ao lado da arquibancada, olhando para você, naquele dia que julgo ser tão importante para ti. Ouvi uma frase da qual só me lembro de um fragmento: "sempre é possível fazer o melhor, ousem". 
Naquele momento não tive dúvidas de que aquilo estava sendo dito para você, já que, você foi um menino subnutrido que cresceu sem a presença paterna, com dificuldades inomináveis. Desde muito cedo teve que ser "bóia fria", levantar às quatro da manhã, cortar muita cana de açúcar; depois comer em um caldeirão de alumínio amassado e com comida gelada e dura. Entretanto, você ousou estudar, dava um duro danado na "roça" durante o dia e a noite ia para a escola com as unhas sujas de carvão. Todavia um amigo em comum - O "Rege" ou "Rejão", me disse certa vez que você não era o melhor aluno da classe, era na verdade o melhor da escola - me enchi de orgulho naquele momento por ser seu irmão.
Algum tempo depois você conseguiu um serviço melhor na usina. Ainda sim, acreditou ser possível voar mais alto - prestou o concurso para polícia militar, fez academia e se tornou motivo de embevecimento para toda família. Não obstante, sendo militar resolveu fazer faculdade de direito, sendo o único da família com curso superior. Você conquistou cada milímetro da sua vida com garra, com gana.  
Sempre admirei esse seu inconformismo, sempre lutando, sempre prestando concursos para delegado. Já cantava Raul Seixas “basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo; tente outra vez", e por quantas vezes você tentou...
Mais uma vez, vem você e me surpreende. Agora Tenente da polícia militar, formado pela academia do Barro Branco.
Enquanto escrevo estas poucas e parcas linhas sinto-me medíocre diante de tua grandeza, a partir de agora me faltam palavras e não consigo segurar, rola uma lágrima silente dos meus olhos.
Acredito que vale a pena você continuar vivendo a vida que vive, pois ela é uma inspiração.

sinceramente,

do menor de seus irmãos,

João

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