terça-feira, 14 de abril de 2009

Uma mineira chamada Maria

(Categoria – Minha história)

De repente todos olharam, era uma jovem senhora de pequena estatura, magra, olhos acinzentados e tristes. Tinha a aparência de que já não comia há vários dias, trazia consigo quatro pequenas crianças todas famintas. Vinham de Minas Gerais e estavam na estação de trem em S.Paulo, sem rumo certo, sem destino, sem dinheiro. Àquela pequena mulher trazia consigo apenas a dignidade e o desejo de criar seus filhos, e, que já cresciam sem a presença paterna.
Maria, não a mãe de Jesus, mas com certeza uma grande santa, ou melhor, uma grande Heroína (com H maiúsculo).
Maria Natalícia Leite, 70 anos de idade. Nascida na cidade de Montes Claros no estado de Minas Gerais. Na verdade são 70 anos de muitas lutas; muito sofrimento, muita necessidade e pouca alegria.
Minha mãe a semelhança do sertanejo descrito por Euclides da Cunha, também é um forte.
Criou seus oito filhos com muita dificuldade, muita luta. Nunca frequentou uma escola, ou como diz a letra da música dos Titãs (Marvin) “... meu pai (mãe no meu caso) não tinha educação, ainda me lembro era um grande coração ganhava a vida com muito suor...”. Todavia nos ensinou a tratar todos com dignidade, respeito e honra.
Quando ouso rabiscar algumas palavras sobre minha mãe, sinto que sempre serei inadequado para descrever alguém de tamanha envergadura. Gente de uma bravura singular, que se comparado a mim, sou apenas mais um medíocre.
Quando adolescente já cheguei a me envergonhar da minha mãe por ela ir à escola para resolver minhas brigas e todo mundo ficava zombando de mim. Hoje, todavia, sinto orgulho de ser filho de uma guerreira com qualidades tão únicas.
A partir desse momento me fogem as palavras, letras; substantivos, também me fogem a ordem cronológica das lembranças. São tantas coisas para narrar que decidi ir contando a história aos poucos, como conta gotas. Por hoje basta.

João Ferreira Leite luz

3 comentários:

AC Rangel disse...

João

Antes de mais nada obrigado por tua visita. É uma honra recebê-lo no meu pedacinho.
Queria cumprimentar Dona Maria, esta guerreira, fabulosa. Sei bem do que vc está falando porque também tive a minha Dona Maria, falecida no ano passado, que também enfrentou a vida com 6 filhos, viúva quando o mais velho, eu, tinha 14 anos.
Vou acompanhar tudo o que vc contar sobre ea. Tenho certeza que ela foi um exemplo de dignidade, de força, de coragem, u tanto raros no dia de hoje. João, é um prazer poder compartilhar de sua amizade.

Um abraço

AC Rangel disse...

Ia me esquecendo. Linkei teu repensandoconceitos no meu almatua.
Obrigado por tudo.

Rangel

Efigênia Coutinho disse...

João Ferreira Leite luz ,
gostei de ler você, voltarei mais vezes,
Efigênia Coutinho