sábado, 15 de novembro de 2008

Rabiscando algumas idéias sobre a chamada maldição "hereditária"

(Categoria – Reflexões)

Não pretendo com que vou escrever ser dogmático ou absolutista, muito menos senhor da verdade. No entanto, gostaria de sugerir algumas idéias e perguntas para repensarmos a chamada “doutrina da maldição hereditária, ou maldição familiar”.

A maldição hereditária como é proposta por alguns grupos neopentecostais, não está anulando a soberania de Deus, visto que o coloca numa posição de impotência diante das maldições transferidas automaticamente aos filhos inocentes de pais pecadores?

A maldição hereditária não anula o livre-arbítrio? Pois herdamos automaticamente os pecados de nossos antepassados sem, todavia ter o direito de escolha. Então não seríamos meras marionetes nas mãos de um deus manhoso?

Se for verdade que temos que “quebrar” verbalmente os elos que nos ligam aos pecados de nossos antepassados para vivermos isentos de maldições. Então se toda a nossa ascendência está amaldiçoada teríamos que regredir ad infinitum até o pecado de Adão? E o pecado de Adão já não foi cancelado na cruz do calvário por Jesus Cristo, Senhor nosso?

Os proponentes da “doutrina da maldição hereditária”, não estão cometendo um grande erro interpretativo ao confundirem maldição com desdobramentos de pecados? Porque as conseqüências do pecado atingem os filhos, a mulher, os netos, os amigos etc. O exemplo clássico é do pai de família que é alcoólatra, os desdobramentos que ele vai deixar em sua casa são devastadores e permanentes por muito tempo. E isso não é maldição, e sim, conseqüências do pecado.

Olhando para o bom senso e fazendo uso dele, ou como escreveu padre Beto em uma de suas crônicas – “julgar para não ser manipulado”. O senso crítico diz que não adianta tentar se desvencilharmos do passado, visto que não temos mais acesso a ele. Então o passado de desgraças e pecados pode ao invés de maldição se tornar uma bênção, se nós soubermos construir a partir dos destroços que nos legaram nossos antepassados e das besteiras que nós mesmos praticamos no tempo antigo. Gosto de uma frase que ouvi em um filme que é mais ou menos assim: “você não estragou tudo em sua vida, adquiriu experiências”.

O que expus acima são meramente idéias, sugestões e propostas. Antes de me condenarem à fogueira por minhas inquietações, pensem, ponderem e repensem. Sigamos o conselho de Francis Bacon quando disse: “Ler não para contradizer... mas para pensar e ponderar”.

Que Deus nos ajude!
Abundons cautela non noceta – cautela abundante não prejudica
João Ferreira Leite Luz

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